Ansiedade relacionadas ao trabalho preocupa e cresce no Brasil
Por Ana Gomes, Cerrado 12/05/2025 21h20

Pressões constantes contribuem para um mal invisível que afeta o corpo, a mente e a produtividade (Foto: Imagem criada por inteligência artificial)
Nas últimas décadas, no mundo do trabalho, a ansiedade vem se destacando como um dos principais desafios enfrentados no cotidiano profissional. Pressões constantes, insegurança nos ambientes de trabalho e espaços pouco acolhedores contribuem para o adoecimento psíquico dos trabalhadores.
A doença é hoje um dos principais riscos à saúde mental no ambiente de trabalho. Entender suas causas e buscar formas de prevenção e cuidado tem se tornado cada vez mais urgente, o cenário do Brasil revela uma crise na saúde mental que impacta diretamente a rotina de milhares de trabalhadores.
O Ministério da Previdência Social divulgou dados sobre os afastamentos no ano de 2024: foram quase meio milhão de registros, o maior número em pelo menos dez anos. As 472.328 licenças médicas concedidas representam um aumento de 68% em relação ao ano anterior, o burnout, por exemplo, resultou em 4 mil afastamentos no ano passado. Especialistas explicam que esse número pode estar relacionado à dificuldade no diagnóstico.

Fonte: Ministério da Previdência Social
Kauanny Gabrielly, de 21 anos, é operadora de loja em uma rede de varejo de roupas. Embora não tenha sido afastada formalmente, sofreu consequências psicológicas e físicas entre 2023 e 2024. Durante a entrevista, ela relata como percebeu que os problemas estavam afetando sua saúde mental e física.
“Quando caiu a ficha pra mim do primeiro problema de saúde que tive relacionado ao trabalho, devido a situações dentro do ambiente profissional, eu já tinha ansiedade ao longo do tempo, e com as condições ali presentes, foi se agravando e comecei a desenvolver reações alérgicas. Essa reação não atrapalhava somente a minha aparência, mas também vinha acompanhada de uma irritabilidade que compromete minha visão. Metade do meu rosto apresentava sequelas dessa reação, que começou a se desenvolver devido ao nervosismo provocado pela pressão psicológica que colocavam em mim. Minha ansiedade se manifestava através do meu corpo”, aponta.
Kauanny relata que, em nenhum momento, foi acolhida pela empresa ou por seus superiores hierárquicos, como supervisores. Ela ainda destaca sua vulnerabilidade no antigo ambiente de trabalho e afirma que em nenhum momento a empresa, e nem as pessoas com cargo mais alto, deram uma palavra de apoio.
Diante dessa realidade enfrentada por tantos trabalhadores, os índices de afastamento aumentam, e a desmotivação se torna um reflexo direto do ambiente de trabalho. No entanto, essa situação não deve se tornar comum e muito menos estar na sociedade para ficar.
Empresas que ignoram a saúde mental de seus funcionários não apenas colocam em risco o bem-estar de seus trabalhadores, mas também o seu próprio desempenho. Investir na saúde mental do trabalhador é mais do que uma questão de cuidado humanitário é uma oportunidade estratégica.
Ambientes de trabalho saudáveis e acolhedores não apenas reduzem os índices de afastamento, mas também aumentam a produtividade. Funcionários que se sentem apoiados, respeitados e mentalmente saudáveis são mais engajados, comprometidos e produtivos. Quando as empresas reconhecem a importância de cuidar da saúde mental de seus colaboradores, todos saem ganhando.
