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  • Como o trabalho remoto pode impactar seu bem-estar e lazer | Cerrado

    Como o trabalho remoto pode impactar seu bem-estar e lazer Como o trabalho remoto pode impactar seu bem-estar e lazer Por Gabriela Batista , Cerrado 15/05/2025 7h50 Entre o conforto do lar e o peso das demandas, trabalhar de casa pode ser libertador, mas sem equilíbrio vira armadilha (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial) Nos últimos anos, as jornadas de trabalho têm aumentado o debate sobre qualidade de vida e produtividade Todas as jornadas têm seus prós e contras, e uma das mais comentadas é, sem dúvida, a jornada de home office, que se tornou o sonho da maioria dos trabalhadores. Ela foi impulsionada pela pandemia de COVID-19, quando muitas pessoas foram obrigadas a conciliar suas atividades profissionais com seus ambientes domésticos devido às restrições de isolamento social, criando novos desafios tanto para trabalhadores quanto para empresas. Embora o trabalho remoto possa trazer benefícios, como flexibilidade, mais tempo para realizar tarefas e mais qualidade de vida, ele também pode afetar a saúde mental. O distanciamento entre o ambiente de trabalho e o espaço pessoal pode gerar a sobrecarga de tarefas e a dificuldade de estabelecer limites. Muitas empresas, por exemplo, podem pensar que, por o trabalhador estar em casa, ele terá mais tempo e, portanto, poderá assumir mais tarefas, o que pode resultar em estresse, ansiedade e até burnout. Joyce Renovato, de 33 anos, é analista de sucesso do cliente na empresa LINX, do grupo Stone Co. Ela mora em Guarulhos (SP) e trabalha no modelo híbrido, indo presencialmente à empresa, localizada no bairro de Pinheiros (SP), duas vezes por semana, onde sua jornada começa às 9h e termina às 18h. Joyce conta que sua rotina com o home office facilita muito a conciliação do trabalho com seu lazer pessoal. “Consigo fazer minhas aulas e exercícios físicos durante a semana porque a academia que frequento é perto de casa”, destacando a facilidade de inserir hábitos saudáveis em seu cotidiano sem precisar perder tempo no trajeto até o trabalho. Seu emprego anterior era em uma loja de calçados, no modelo 6x1, onde não tinha o tempo livre que tem hoje para o lazer. No emprego atual, Joyce percebe que a possibilidade de trabalhar de casa facilita muito sua vida e sua saúde mental. “Eu ganho tempo para fazer outras tarefas e não passo pelo estresse de enfrentar o trânsito diariamente.” Mas, mesmo com as facilidades que o home office oferece, Joyce entende que esse modelo de trabalho pode gerar, sim, acúmulo de funções e estresse para alguns trabalhadores. Como trabalha no setor comercial, ela diz que, em momentos de muitas demandas, pode ocorrer o acúmulo de tarefas. “Em épocas de pico, como quando nossos clientes precisam de mais vendas, o trabalho pode se acumular, e caso a equipe não tenha um bom gerenciamento, isso pode gerar caos, mesmo que parte dela esteja em casa", alerta Joyce. Muitas pessoas pensam que quem trabalha remotamente não tem tantas responsabilidades e que não trabalha muito, mas Joyce afirma que isso não é verdade. “Depende muito do ramo em que você está e da equipe em que trabalha. Se for um time que precisa entregar resultados, todos precisam ter o mesmo foco. Caso contrário, se houver muita demanda, um colaborador pode receber mais tarefas do que o outro, a fim de cumprir os prazos”, diz. Isso mostra que nem tudo é perfeito e 100% saudável, mesmo estando em casa. As empresas precisam observar cuidadosamente o limite do trabalho. O exemplo de Joyce mostra que o modelo híbrido ou o 100% remoto pode ser excelentes opções para quem busca qualidade de vida e bem-estar, sem comprometer a produtividade que, na verdade, pode até aumentar quando o trabalho é realizado em casa. Esse modelo oferece mais tempo para atividades pessoais e flexibilidade, permitindo ao trabalhador conciliar suas tarefas profissionais com momentos de lazer e até viagens durante o expediente. No entanto, independentemente do formato de trabalho, é essencial manter equilíbrio, organização e uma gestão eficaz para evitar a sobrecarga. Assim, o home office pode ser um benefício tanto para o trabalhador quanto para a empresa, especialmente com o crescente número de empresas adotando esse modelo. O que todo trabalhador quer e merece é um emprego que o valorize, permitindo-lhe aproveitar as vantagens do trabalho, gerando um bom relacionamento dentro da empresa, promovendo um ambiente colaborativo e saudável, e garantindo sua saúde física e mental. Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

  • Carga horária excessiva compromete o lazer e bem- estar dos funcionários | Cerrado

    < Back Carga horária excessiva compromete o lazer e bem- estar dos funcionários Por Luana Leite , Cerrado 15/05/2025 07h00 Quando o trabalho invade o tempo de lazer e convívio, deixa de ser só obrigação e vira um problema (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial) A sobrecarga nos ambientes de trabalho tem sido tema de debates nos últimos meses por diversos motivos, entre eles, a falta de tempo que afeta os trabalhadores, levando muitos a desenvolverem problemas psicológicos causados pelo excesso de horas no emprego. Essa realidade geralmente está ligada a problemas financeiros, que leva o indivíduo a estender suas jornadas de trabalho, muitas vezes em detrimento do próprio bem estar. Embora muitas empresas ofereçam compensações financeiras pelo esforço extra dos trabalhadores, esse excesso afeta diretamente a saúde física e mental, contribuindo para o desenvolvimento de problemas como ansiedade e depressão. Uma pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde) revelou que trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado a um risco 35% maior de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral), devido à falta de descanso adequado. O excesso de trabalho também compromete o lazer e os relacionamentos familiares ou sociais independentemente do formato adotado, seja escala 6x1, 12x36 ou trabalho híbrido. Dias de descanso reduzidos e a falta de tempo com a família podem agravar problemas emocionais e prejudicar significativamente a qualidade de vida. Independentemente do formato de trabalho, é preciso refletir sobre a seguinte pergunta: qual é o limite da jornada de trabalho? Muitos acreditam que o modelo híbrido , por exigir menos tempo presencial e mais tempo em casa, é menos exaustivo. No entanto, dependendo da empresa, o funcionário pode enfrentar altas demandas e excesso de trabalho mesmo no conforto do lar. Para entender melhor essa rotina, entrevistamos Luceni Santos, que trabalha em um supermercado na escala 6x1, com uma carga horária de 10 horas diárias. Mãe de dois filhos e também dona de casa, ela nos contou que o ideal seria se tivesse pelo menos dois dias para poder curtir com a família. Quando o trabalho começa a invadir outras áreas da vida e compromete a rotina com os filhos, amigos, e até o tempo consigo mesmo ele deixa de ser apenas uma obrigação e se torna um problema. Em muitos casos, esse desequilíbrio cresce de forma silenciosa, até se tornar maior do que se imagina. Há pessoas que têm suas vidas desorganizadas pela rotina exaustiva, trabalhando demais e, por vezes, só voltando para casa para dormir. “Já deixei de participar de comemorações de aniversário, casamento e várias outras situações de família por conta da escala 6 por 1”, conta Luceni. E afirma que as longas jornadas têm um efeito direto na dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional. A sobrecarga é tanta que, muitas vezes, sente que não consegue dar conta nem do trabalho nem das demandas em casa. Essa realidade é comum entre trabalhadores que dependem desse tipo de escala para sobreviver, fazer compras, pagar aluguel, e acabam entrando em um modo automático. Luceni lamenta não conseguir acompanhar de perto o dia a dia dos filhos, suas tarefas e momentos importantes. “No dia da minha folga, como hoje, estou em casa colocando em dia as tarefas domésticas, porque não posso parar. Não dá para deixar de fazer, tem que colocar tudo em ordem: lavar roupa, limpar a casa, cuidar dos filhos, cuidar do marido e por aí vai”, desabafa. O alto custo dos alimentos, aluguéis caros e a constante preocupação em pagar as contas do mês seguinte levam muitas pessoas a se sobrecarregarem, com jornadas que ultrapassam 10 horas por dia ou até mesmo assumindo dois empregos. Quando conseguem algum tempo livre, o lazer muitas vezes é descartado devido aos altos preços de passeios e viagens. E, mesmo quando há dinheiro, falta tempo para aproveitar momentos com a família e amigos. Esse ciclo de sobrecarga e ausência de lazer cria um ambiente de desequilíbrio entre vida profissional e pessoal. O lazer é essencial para a saúde mental, pois ajuda a reduzir o estresse, fortalece os vínculos com familiares e amigos e melhora a produtividade no trabalho. Sem esse tempo de descanso, os trabalhadores ficam mais vulneráveis a doenças relacionadas ao estresse e perdem a capacidade de recuperar as energias físicas e emocionais. Carga horária excessiva compromete o lazer e bem- estar dos funcionários Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

  • Seu Armando, choveu em Belford Roxo | Cerrado

    Seu Armando, choveu em Belford Roxo Por Glória Delazari , Cerrado 21/05/2025 23h00 Quando chove em Belford Roxo, o problema não é a chuva e sim o descaso (Foto: Imagem criada por inteligência artificial) Há alguns dias simplesmente me deparei com um vídeo no TikTok onde uma influenciadora reproduz o áudio de um trabalhador que mora em Belford Roxo. O conteúdo foi tão natural que me “debulhei” de rir imaginando a reação do Seu Armando (patrão) escutando o áudio do seu funcionário que não sabemos o nome, mas que agora chamaremos de “Mario”. “Seu Armando, eu tô desde às 05:45 da manhã mandando foto, vídeo no seu privado, Seu Armando, mostrando a minha real situação do porquê não fui trabalhar hoje. O senhor conhece Belford Roxo quando chove, Seu Armando? Aí você vai no grupo e fala pra todo mundo ouvir que eu sou um funcionário preguiçoso que tenho medo de pegar chuvinha, vai tomar no c..., Seu Armando, chuvinha é o caral..., choveu pra caral... aqui em Belford Roxo... Eu não vou sair de Belford Roxo pra encher saco de farinha na chuva não”. É, acho que o Seu Armando não esperava por essa. Não citei o áudio completo por ser muito extenso e porque o “Mario” faz um desabafo cheio de palavrões, mas se eu fosse você pesquisaria o vídeo na plataforma para ter o mesmo prazer que eu tive ao ouvir esse áudio pela primeira vez. Apesar da comicidade em imaginar a situação e a reação do patrão, me coloco no lugar do “Mario” e dos milhões de trabalhadores que passam por situações semelhantes. Imagina você, trabalhador brasileiro, que atua em alguma função braçal e menos remunerada, e que muito provavelmente também trabalha de segunda a sábado ou a semana toda, ser exposto ao ridículo e ser chamado de funcionário preguiçoso, apesar de ter enviado todas as provas que justificam a sua ausência para o seu chefe. Quantos de nós, já não passamos por situações parecidas, onde o temporal causou o maior trânsito e não conseguimos ir ou chegar ao trabalho? Eu poderia citar não apenas o temporal, mas também os problemas habituais no transporte público, questões de saúde que nos impedem de ir ao trabalho, situações com familiares e vários outros imprevistos. Bem, depois da experiência em ouvir o áudio do “Mario” eu pude concluir duas coisas: a primeira que eu não queria estar na pele do Seu Armando e a segunda que deveríamos ser mais “Mario”, talvez, não com tantos palavrões, mas sim com a sua coragem ao impor o seu valor e direitos como trabalhador, seja em Belford Roxo, em São Paulo ou em qualquer lugar do nosso Brasil. Crônica Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

  • Economia

    < Back Os desafios da realidade econômica do Brasil Por Glória Delazari, Cerrado 02/05/2025 20h30 Big Title Trabalhadores brasileiros enfrentam perda de poder de compra diante da precarização do trabalho e alta dos preço (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial) Precarização do trabalho, salários desatualizados e aumento da inflação prejudicam diariamente a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros, influenciando os custos dos alimentos e das contas domésticas. Em meio a um cenário econômico desafiador, a população busca garantir seu poder de compra e sua estabilidade financeira, enfrentando a precarização das condições laborais e dos salários. De acordo com um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família deveria ser quatro vezes maior do que o valor atual. Para compreender quais são as dificuldades enfrentadas pela população brasileira em relação ao custo de vida no país, entrevistamos a economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas e conselheira do Corecon-SP. Carla relata que apesar da queda no desemprego e do aumento real da renda salarial com um crescimento econômico de 3% nos últimos anos, “o grande problema está na inflação dos alimentos, que é diferente da inflação geral do país. A inflação do ano passado fechou em torno de 4,83%, mas a inflação dos alimentos ficou por volta de 9%, então no dia a dia das pessoas, no mundo inteiro, se alimentar ficou mais caro”. Como reflexo do atual cenário econômico do Brasil, muitos trabalhadores têm recorrido à informalidade como forma de garantir uma qualidade de vida melhor e uma renda extra. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em janeiro de 2025, 40,3 milhões de brasileiros trabalhavam na informalidade. Ainda que a pessoa jurídica (PJ) tenha liberdade para trabalhar como e onde quiser, para a economista, a informalidade foi vendida como uma independência disfarçada, que acentua os desafios já enfrentados no cotidiano do trabalhador. Os desafios da realidade econômica do Brasil “São muitos os reflexos na qualidade de vida das famílias, porque há uma incerteza muito grande na vida da pessoa jurídica. Digamos que você trabalhe em uma empresa no qual é PJ, você acha que está ganhando mais, porém não está, porque precisaria fazer uma poupança paralela para todos os imprevistos que a CLT cobra, como fundo de garantia, plano de saúde, seguro-desemprego, aviso prévio, férias, adicional de férias, etc. Levando em consideração também, que a elevação da taxa de juros é um fator muito crítico”, afirma a economista. Nos últimos meses, o governo tem sofrido críticas constantes da população devido à inflação e aos altos custos de vida no país, além dos grandes desafios para equilibrar o Orçamento de 2025 . Carla diz que a queda de popularidade do presidente, mesmo dentro do grupo que o elegeu, é decorrente ao aumento da inflação, que afetou diretamente não só o custo dos alimentos, mas também o valor das contas de água, gás e energia. Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

  • Mudanças nas jornadas laborais e seus impasses econômicos e jurídicos | Cerrado

    < Back Mudanças nas jornadas laborais e seus impasses econômicos e jurídicos Por Nathalia Calixto , Cerrado 12/05/2025 21h20 Redução de jornada exige equilíbrio legal e financeiro (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial) Enquanto uma PEC propõe o fim da escala 6x1 , juristas e economistas avaliam os impactos legais e financeiros da mudança nas jornadas de trabalho. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que, sem ganhos de produtividade, a proposta pode gerar uma queda de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Isso representaria uma perda de cerca de R$2,9 trilhões no faturamento das empresas e até 18 milhões de empregos. A massa salarial também encolheria em aproximadamente R$480 bilhões, afetando diretamente o consumo, os investimentos e a arrecadação de impostos. Hoje, a jornada média semanal no Brasil é de 44 horas, abaixo da média global e superior apenas à de países desenvolvidos da Europa e da América do Norte, onde diferentemente do Brasil, os altos índices de produtividade são sustentados por inovação tecnológica, capital intensivo e sistemas de bem-estar social mais robustos. Para entender os desafios da adoção de uma nova lógica de jornada no Brasil, um país que ainda enfrenta desafios como baixa qualificação dos trabalhadores, produtividade estagnada e um mercado com quase 40% de informais, ouvimos o economista Gustavo Segré, que faz um alerta para o impacto direto nos custos operacionais das empresas. Mudanças nas jornadas laborais e seus impasses econômicos e jurídicos “Diminuir o tempo de trabalho sem reduzir o salário do colaborador vai aumentar os custos das empresas, especialmente daquelas que dependem fortemente de mão de obra”, afirma Segré. Ele cita o exemplo de uma empresa no setor de serviços. “Se os funcionários que hoje trabalham 44 horas semanais passarem a cumprir 36, a empresa terá de contratar mais pessoas para cobrir o horário em que, teoricamente, não haverá ninguém para atender os clientes. Isso representa um custo adicional que terá que ser repassado ao cliente ou absorvido pela empresa, reduzindo a margem de lucro.” Questionado sobre o efeito específico em setores essenciais como saúde e segurança, que funcionam em regime contínuo, é reforçado a necessidade de um debate técnico e imparcial. " A lei brasileira não obriga ninguém a trabalhar além do limite de 44 horas semanais. E nos casos em que há jornadas especiais, tudo é negociado com os sindicatos, nunca imposto de forma unilateral", aponta Segré. O economista também ressalta que, nesses setores, o profissional já inicia o trabalho ciente da carga horária e da remuneração. “Se houver mudança no acordo de trabalho durante o contrato, o empregado pode recorrer à Justiça ou ao seu sindicato para garantir seus direitos. A legislação protege o trabalhador nesses casos.” Se do ponto de vista econômico a proposta levanta preocupações sobre aumento de custos e impactos na produtividade, no campo jurídico a discussão também é complexa e envolve aspectos constitucionais, contratuais e sindicais. A depender da forma como forem conduzidas, mudanças como a extinção da escala 6x1 ou ampliação da 12x36 podem comprometer direitos fundamentais garantidos pela Constituição e pela CLT ( Consolidação das Leis do Trabalho). Um ponto sensível é justamente a jornada 12x36, que permite ao trabalhador atuar 12 horas consecutivas, seguidas de 36 horas de descanso. Embora validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2023, por meio de acordo individual ou convenção coletiva, sua aplicação ainda gera controvérsias, sobretudo em setores com baixa representatividade sindical, podendo ocorrer a desvirtuação da negociação. “Em muitos casos, o que deveria ser uma construção coletiva se torna imposição, e o trabalhador por necessidade acaba aceitando condições definidas unilateralmente pelos empregadores. Isso enfraquece o princípio da negociação coletiva, que pressupõe equilíbrio entre as partes”, afirma o advogado Guilherme Fruscalso. Fruscalso também destaca que esse tipo de jornada requer uma fiscalização rigorosa para não ser descaracterizado judicialmente e reforça: “Se o trabalhador chega cinco minutos antes ou vai embora cinco minutos depois com frequência, isso já pode configurar prestação habitual de horas extras, o que inviabiliza a validade da jornada 12x36. A jornada precisa ser cumprida com exatidão, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos.” No caso da jornada 6x1, apesar de prevista na CLT e aparentemente compatível com o limite de 44 horas semanais, a realidade vivida por muitos trabalhadores expõe fragilidades, e embora o modelo em si não viole o princípio da dignidade humana, sua aplicação frequentemente o compromete. Segundo Fruscalso, “se respeitado o limite legal das horas e garantido um ambiente adequado ao desenvolvimento do trabalhador, o regime 6x1 não fere a dignidade nem o direito ao descanso. O problema é que, na prática, muitos trabalhadores acabam fazendo horas extras, têm suas folgas desrespeitadas e não usufruem do descanso dominical”. Caso avance no Congresso a proposta de extinguir a jornada 6x1, surgem desafios jurídicos e impactos diretos nos contratos vigentes, além de mudanças no direito do descanso, já que a proposta pretende garantir mais tempo livre para o trabalhador. A transição para um novo modelo de jornada precisa ser feita de forma gradual e equilibrada, levando em consideração tanto as necessidades dos trabalhadores quanto dos empregados. “É necessário fazer um plano que equilibre a balança, dando benefícios fiscais aos empregadores para ir extinguindo essas jornadas aos poucos, de forma que a gente chegue nos próximos 5 anos sem esse tipo de jornada. Dessa forma, o trabalhador passa mais tempo em casa, o que também vai acelerar a economia, pois ele vai poder trabalhar de segunda a sexta, sair com a família aos fins de semana, sem precisar trabalhar e gastar o dinheiro para movimentar a economia”, ressalta Fruscalso. Com isso, o plano de transição sugerido por Guilherme Fruscalso tem a intenção de equilibrar as necessidades de todos os envolvidos, permitindo que a extinção gradual da jornada 6x1 aconteça sem prejudicar as empresas, ao mesmo tempo em que oferece mais qualidade de vida ao trabalhador. Esse processo seria viabilizado por meio de benefícios fiscais, como descontos tributários, para compensar os custos adicionais enfrentados pelos empregadores. “Por exemplo, 20% de desconto no imposto de renda, estou jogando um número aleatório, mas tem que ser feito todo um estudo sobre essa parte, para que se veja a porcentagem que o empregador vai ser lesado e se beneficie tributariamente”, conclui. Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

  • As jornadas que moldam a vida dos brasileiros para além do expediente | Cerrado

    < Back As jornadas que moldam a vida dos brasileiros para além do expediente Por Vinicius Amorim, Cerrado 06/05/2025 10h00 Manifestantes protestam contra a escala 6x1 no Dia do Trabalhador, na Avenida Paulista (Foto: Equipe de Redação) O Brasil segue um modelo que, historicamente, prioriza a produtividade em detrimento do bem-estar dos trabalhadores. Enquanto países europeus avançam na redução da carga horária sem perda salarial , a realidade por aqui é diferente. Milhões de brasileiros enfrentam jornadas intensas e escalas como 6x1 e 12x36, comuns em setores como comércio, serviços e saúde. Apesar de previstas em lei, essas modalidades têm sido alvo de críticas e debates sobre seus efeitos na qualidade de vida e possíveis mudanças na legislação. Temos uma cultura enraizada de que longas jornadas significam maior produtividade, o que se confirma ser o oposto na prática , como mostram os dados de uma pesquisa realizada na Bélgica, que apontam para a queda da produtividade por hora à medida que a carga horária aumenta ainda que, para algumas empresas, esse modelo seja mantido por razões de custo. A legislação e as propostas de mudança A Reforma Trabalhista de 2017 (Lei 13.467/2017) ampliou a adoção de escalas como a 12x36, ao permitir que acordos sejam firmados diretamente entre empregador e empregado, sem a necessidade de mediação sindical. Embora os direitos essenciais, como férias e 13° salário, estejam preservados, especialistas apontam que a falta de uma regulamentação mais clara abre espaço para abusos. As jornadas que moldam a vida dos brasileiros para além do expediente “A reforma trouxe mais segurança para o mercado de trabalho, em especial para o empregador, do ponto de vista da segurança jurídica, e para o empregado, do ponto de vista da flexibilização de algumas normas [...] com a possibilidade de fechamento de acordos individuais”, avalia Washington Barbosa, especialista em Direito Previdenciário. Atualmente, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso propõe extinguir a escala 6x1 e reavaliar outras jornadas, como a 12x36. Para a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mudanças na legislação devem considerar não apenas aspectos econômicos, mas também o impacto sobre a saúde dos trabalhadores. “A redução da jornada de trabalho é uma medida essencial para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e combater a precarização do trabalho”, afirma. Mas para além da jornada 6x1, que está sendo amplamente debatida no cenário político atual, existem outros modelos e escalas de trabalho vigentes no Brasil, alguns questionáveis, mas ainda assim regulamentados por lei. Abaixo, trouxemos um resumo com os principais modelos e escalas trabalhistas vigentes no Brasil: Jornada 12x36 (doze horas consecutivas de trabalho para trinta e seis de descanso) Foi popularizada em departamentos que exigem cobertura contínua, como nos casos do setor hospitalar e em serviços de segurança. Essa jornada foi regularizada pela Súmula 444 do Tribunal Superior Trabalhista (TST) em 2012. Jornada 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) Prevista pela CLT desde 1943, a jornada 6x1 é amplamente adotada em setores como comércio e varejo, impactando principalmente vendedores, garçons, pizzaiolos, atendentes de telemarketing, funcionários de supermercados e outros profissionais dessas áreas. Jornada 5x2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso) Ganhou força por volta dos anos 2000 impulsionada pelo crescimento das demandas em shoppings e até os dias atuais é predominante nesse tipo de comércio, além de profissionais de áreas com operação contínua como operadores de máquinas. Jornada 5x1 (cinco dias de trabalho para um de descanso) Presente no mercado de trabalho desde a implementação da CLT, a jornada 5x1 é muito comum no setor de comércio, quase feita sob medida para essa categoria. Ela organiza o dia a dia de profissionais como repositores, caixas de supermercados e lojas, atendentes de comércios. Escalas de revezamento contínuo Previstos na constituição de 1988, os turnos de revezamento contínuos garantem uma jornada de 6 horas diárias e 36 semanais, sendo muito populares no cotidiano de indústrias e serviços essenciais que operam 24h por dia. Jornada “ininterrupta” ou intermitente É um modelo de jornada que foi introduzido a partir da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) em que o trabalhador é convocado conforme a demanda do empregador, recebendo pagamento proporcional às horas trabalhadas Jornada de meio período Previsto desde a implementação do CLT, o meio expediente ou trabalho de meio período ganhou força nos anos 1990 com a flexibilização do trabalho. É uma escala comum entre estudantes em estágios e profissionais do comércio e serviços, com turnos que variam de 4 a 6 horas. Jornada 4x3 Esse modelo, que já é comum em muitos países da Europa e muito defendido pelo movimento VAT (Vida Além do Trabalho), chegou a ser testado no Brasil em 2023 e contou com um total de 21 empresas que entraram no teste do regime de trabalho 4x3 durante seis meses. Uma jornada 4x3 tende a ser mais viável em economias estáveis. Embora algumas jornadas sejam mais comuns em determinadas profissões, a escala de trabalho pode variar conforme o acordo coletivo, a empresa e a função, o que reforça a complexidade desse tema. A questão sobre a viabilidade de mudanças nos regimes de jornada de trabalho, como o 12x36 e o 6x1, especialmente em um contexto de altos custos trabalhistas no Brasil, é complexa. "O grande desafio do ponto de vista econômico é exatamente saber como vai ficar a situação do desemprego e a situação da inflação, dos custos das empresas", aponta Washington. Ele ressalta que, do ponto de vista jurídico, muito dependerá de como a legislação será ajustada, com possíveis alterações na CLT e em outras normativas. Para ele, mudanças como essas provavelmente enfrentam questionamentos, já que "as associações de empresas, as confederações, acionaram o STF discutindo a constitucionalidade dessa PEC (Proposta de Emenda à Constituição)", devido à defesa da livre iniciativa e da livre concorrência. 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  • Ansiedade relacionadas ao trabalho preocupa e cresce no Brasil | Cerrado

    Ansiedade relacionadas ao trabalho preocupa e cresce no Brasil Por Ana Gomes , Cerrado 12/05/2025 21h20 Pressões constantes contribuem para um mal invisível que afeta o corpo, a mente e a produtividade (Foto: Imagem criada por inteligência artificial) Nas últimas décadas, no mundo do trabalho, a ansiedade vem se destacando como um dos principais desafios enfrentados no cotidiano profissional. Pressões constantes, insegurança nos ambientes de trabalho e espaços pouco acolhedores contribuem para o adoecimento psíquico dos trabalhadores. A doença é hoje um dos principais riscos à saúde mental no ambiente de trabalho . Entender suas causas e buscar formas de prevenção e cuidado tem se tornado cada vez mais urgente, o cenário do Brasil revela uma crise na saúde mental que impacta diretamente a rotina de milhares de trabalhadores. O Ministério da Previdência Social divulgou dados sobre os afastamentos no ano de 2024: foram quase meio milhão de registros, o maior número em pelo menos dez anos. As 472.328 licenças médicas concedidas representam um aumento de 68% em relação ao ano anterior, o burnout, por exemplo, resultou em 4 mil afastamentos no ano passado. Especialistas explicam que esse número pode estar relacionado à dificuldade no diagnóstico. Ansiedade relacionadas ao trabalho preocupa e cresce no Brasil Fonte: Ministério da Previdência Social Kauanny Gabrielly, de 21 anos, é operadora de loja em uma rede de varejo de roupas. Embora não tenha sido afastada formalmente, sofreu consequências psicológicas e físicas entre 2023 e 2024. Durante a entrevista, ela relata como percebeu que os problemas estavam afetando sua saúde mental e física. “Quando caiu a ficha pra mim do primeiro problema de saúde que tive relacionado ao trabalho, devido a situações dentro do ambiente profissional, eu já tinha ansiedade ao longo do tempo, e com as condições ali presentes, foi se agravando e comecei a desenvolver reações alérgicas. Essa reação não atrapalhava somente a minha aparência, mas também vinha acompanhada de uma irritabilidade que compromete minha visão. Metade do meu rosto apresentava sequelas dessa reação, que começou a se desenvolver devido ao nervosismo provocado pela pressão psicológica que colocavam em mim. Minha ansiedade se manifestava através do meu corpo”, aponta. Kauanny relata que, em nenhum momento, foi acolhida pela empresa ou por seus superiores hierárquicos, como supervisores. Ela ainda destaca sua vulnerabilidade no antigo ambiente de trabalho e afirma que em nenhum momento a empresa, e nem as pessoas com cargo mais alto, deram uma palavra de apoio. Diante dessa realidade enfrentada por tantos trabalhadores, os índices de afastamento aumentam, e a desmotivação se torna um reflexo direto do ambiente de trabalho. No entanto, essa situação não deve se tornar comum e muito menos estar na sociedade para ficar. Empresas que ignoram a saúde mental de seus funcionários não apenas colocam em risco o bem-estar de seus trabalhadores, mas também o seu próprio desempenho. Investir na saúde mental do trabalhador é mais do que uma questão de cuidado humanitário é uma oportunidade estratégica. Ambientes de trabalho saudáveis e acolhedores não apenas reduzem os índices de afastamento, mas também aumentam a produtividade. Funcionários que se sentem apoiados, respeitados e mentalmente saudáveis são mais engajados, comprometidos e produtivos. Quando as empresas reconhecem a importância de cuidar da saúde mental de seus colaboradores, todos saem ganhando. Confira todas as notícias e reportagens completas na nossa página inicial. Acesse agora !

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